Oração das Bem-Aventuradas Noras

São vocês mulheres íntegras, belas, honestas, trabalhadoras, leais ao vosso marido/namorado/ companheiro, digamos a melhor mulher que ele podia ter encontrado…e continua…atenciosas, justas, fazem o sacrifício de fazer a depilação no Inverno, a tremer o dente pelo bem da saúde matrimonial? E ainda toleram (em maior ou menor grau) aquele grupinho de pessoas que vem por arrastamento e que está lá para vos dar aquela sensação: “tuu..naahh..tu nunca vais ser bela o suficiente, bem-sucedida o suficiente, gentil o suficiente para ele…quer dizer, para nós”. E continua…” porque ele é muito mais isto, aquilo e aqueloutro e …ah, e nós todos juntos ainda somos mais isto aquilo e aqueloutro”. E voces com aquela vontadinha de mandar uns 4 ou 5 (e se a coisa estiver mesmo cabeluda, uns 6 ou 7) a um sítio começado em ca e terminado em alho e só com bilhete de ida.
Uma senhora candidata a petulante sogra ainda se tolera vá, por meia horita se tiver de ser, uma candidata a cunhada armada ao pingarelho, bem.. se empinar muito o nariz também facilmente se manda para o lugar dela com o rabinho entre as pernas.

Agora, valha-nos Nossa Sra das Bem-Aventuradas Noras, ter de aturar uma catrefada de armados em bons todos de uma vez? É uma calamidade, acham-se os senhores da verdade, quase umas sumas santidades.
Minhas amigas, contra a sogra megera e a cunhada nojentona, valha-nos a Nossa Senhora das Bem-Aventuradas Noras. Oremos:

Nossa Senhora das Bem-Aventuradas Noras

Santificada seja vossa Santa Mão,
para ordenar onde a sogra há-de ficar
E para que não saia do seu lugar nem a nora importunar
Venha a nós o vosso auxílio
contra a língua da cunhada,
mal-f*** e mal-amada
A paz no lar nos dai hoje
Abençoai a união dos apaixonados
e arredai os que não foram convidados

Amén
Aleluia aleluia aleluia

Isto não é brincadeira que eu não brinco com coisas sérias. Isto é bíblico. E para algumas de vocês que tem uma pseudo-beata como candidata a futura sogra (das piores, que se aquela máscara cai ai Jasusss…) então leiam-lhe em voz alta o Capítulo 19, de Mateus e exorcizem aquela jararáca:

“5 E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne?
6 Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem. ”
E concluam assim.: “oubiu, sua badalhoca?” Ahahahaha Would make my day 🙂

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O caminho se faz ao caminhar

“É mais fácil morrer do que viver honrosamente, é mais fácil ceder que lutar, é mais fácil se abster do que agir…
É mais fácil amar o teu próximo quando ele é apenas uma réplica de ti mesmo; não é tão fácil amá-lo, quanto mais respeitá-lo quando ele não só defende uma teoria do universo totalmente diversa da tua, mas ainda por cima parece mais feliz e mais bem sucedido com ela!..” Marcelo Ramos Motta

Provincianices e outras esquisitices

fernando pessoa

 

Sabem aquele fenómeno que todos conhecemos mas ainda ninguém foi capaz de dizer para que serve? Falo do fenómeno da maledicência. Mas não me refiro ao género “aquela pessoa fez-me isto” ou “aqueles sapatos não ficam bem ali”. Refiro-me a outro tipo de maledicência, gratuito e mal-intencionado dirigido a alguém que nem fez nada à maldicente que justificasse o ataque e que muitas das vezes nem sabe muito bem o que se passa e anda em modo barata tonta a tentar desencantar os quês e porquês de tais atitudes. Mais grave ainda quando falamos de familiares (directos ou indirectos) ou colegas de trabalho com os quais se tem de lidar, inclusive diariamente, e uma vez detectada a fonte do “mal-estar” não se pode simplesmente dizer “esta pessoa não me quer bem, não vou mais falar com ela”. 

Pessoalmente, não ligo muito ao que falam de mim e só noto que algo se passa quando me aprecebo de uma mudança de comportamento da pessoa em questão (vulgo bitch), nomeadamente: não olhar nos olhos, evitar dirigir a palavra e/ou falar de maneira ríspida. Pior um pouco quando arrasta outras pessoas com ela para dar mais impacto à coisa.

E em especial porque não tenho o hábito de sair do meu canto para “cutucar” alguém, a pessoa que por algum motivo não me quer bem, além de falar mal de mim aos sete ventos (que eu nem dou por ela e “não tou nem aí”) tem que ter uma trabalheira desgraçada para me passar a mensagem. E para quê? – pergunto-vos. Se conseguirem dar uma explicação para este fenómeno, desvendarão um dos mais antigos mistérios da humanidade, arriscam-se a levar com um prémio Nobel e tudo.

Um pouco mais de Amor por favor.

Ladeira acima…ladeira abaixo

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A cerejeira já está coberta de flores, a temperatura é amena, o ar cheira a limpo, os pássaros fazem uma orquestra lá fora. A Primavera finalmente chegou e faz-se sentir.

Penso que é comum a todos, há fases da nossa vida em que parece que tudo conspira a nosso favor, tudo corre ao sabor do vento, os projectos avançam, os resultados dos nossos esforços aparecem à frente dos nossos olhos, meses e anos de dedicação finalmente dão os seus frutos e sentimos no fundo do peito que tudo valeu a pena, que a luta diária afinal nem foi assim tão pesada, os percalços foram por um bem maior. Já sentiram isso? Eu não.

Já passei por algumas provas de fogo nestas 3 décadas de vida, as quais na verdade não provaram rigorosamente nada, apenas ficou provado que…sh*t happens.

Estou há mais de cinco anos a tentar encontrar o meu lugar num sítio que me diz todos os dias, de olhos arregalados, boca escancarada, que até solta gafanhotos “Aqui não é o teu lugar!”.

É difícil, é todos os dias difícil, não há dias fáceis, só uns menos difíceis do que outros.

Mas o tempo não pára. E à medida que o tempo avança chegamos à conclusão de que precisamos de mais tempo.

E de respostas. As pessoas necessitam de respostas como do ar para viver. E “Não” não conta como resposta, ou conta?

O tempo é cada vez mais escasso e as perguntas são cada vez mais.

Hoje fui acordada com um telefonema.

Há cerca de um mês recebi uma chamada que me trouxe novo ânimo, fui convidada para uma entrevista de emprego na minha área de estudo numa grande empresa. Fui à entrevista, percebi que era ali que eu queria trabalhar e que aquele cargo parecia ter sido criado a pensar em mim. Fiquei na expectativa (“será que o facto de estar há vários anos sem trabalhar na área vai pesar?será que me vão excluir por não falar bem a língua?”) e aguardei 2 semanas pela resposta.

Resultado: fui convidada para passar um dia na empresa a conhecer o departamento que tinha a vaga. Nem queria acreditar na minha sorte, afinal a minha oportunidade chegara, passados 5 anos e 2 meses de aqui chegar. Menos bom: outros candidatos iriam ter a mesma oportunidade, ou seja a vaga não estava garantida.

Foi-me pedido que aguardasse mais 2 semanas pela decisão final, e ela veio hoje de manhã na forma de um telefonema que me acordou e me fez levantar da cama para ouvir mais um “Não”. Não um “não” áspero, bruto… mas um “não” suave, acompanhado por um discurso do género “Foi muito difícil escolher só um candidato, se nos fosse possível ficaríamos com os 2 e blá blá blá pardais ao ninho”. Mas resumindo e concluindo a questão é:  escolheram o outro candidato e eu fiquei de fora.

1, 2, 3….ajeitar a crista…preparar o pescoço…há uma selva lá fora e os leões estão à espera.

galo-depenado