O caminho se faz ao caminhar

“É mais fácil morrer do que viver honrosamente, é mais fácil ceder que lutar, é mais fácil se abster do que agir…
É mais fácil amar o teu próximo quando ele é apenas uma réplica de ti mesmo; não é tão fácil amá-lo, quanto mais respeitá-lo quando ele não só defende uma teoria do universo totalmente diversa da tua, mas ainda por cima parece mais feliz e mais bem sucedido com ela!..” Marcelo Ramos Motta

Provincianices e outras esquisitices

fernando pessoa

 

Sabem aquele fenómeno que todos conhecemos mas ainda ninguém foi capaz de dizer para que serve? Falo do fenómeno da maledicência. Mas não me refiro ao género “aquela pessoa fez-me isto” ou “aqueles sapatos não ficam bem ali”. Refiro-me a outro tipo de maledicência, gratuito e mal-intencionado dirigido a alguém que nem fez nada à maldicente que justificasse o ataque e que muitas das vezes nem sabe muito bem o que se passa e anda em modo barata tonta a tentar desencantar os quês e porquês de tais atitudes. Mais grave ainda quando falamos de familiares (directos ou indirectos) ou colegas de trabalho com os quais se tem de lidar, inclusive diariamente, e uma vez detectada a fonte do “mal-estar” não se pode simplesmente dizer “esta pessoa não me quer bem, não vou mais falar com ela”. 

Pessoalmente, não ligo muito ao que falam de mim e só noto que algo se passa quando me aprecebo de uma mudança de comportamento da pessoa em questão (vulgo bitch), nomeadamente: não olhar nos olhos, evitar dirigir a palavra e/ou falar de maneira ríspida. Pior um pouco quando arrasta outras pessoas com ela para dar mais impacto à coisa.

E em especial porque não tenho o hábito de sair do meu canto para “cutucar” alguém, a pessoa que por algum motivo não me quer bem, além de falar mal de mim aos sete ventos (que eu nem dou por ela e “não tou nem aí”) tem que ter uma trabalheira desgraçada para me passar a mensagem. E para quê? – pergunto-vos. Se conseguirem dar uma explicação para este fenómeno, desvendarão um dos mais antigos mistérios da humanidade, arriscam-se a levar com um prémio Nobel e tudo.

Um pouco mais de Amor por favor.

Ladeira acima…ladeira abaixo

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A cerejeira já está coberta de flores, a temperatura é amena, o ar cheira a limpo, os pássaros fazem uma orquestra lá fora. A Primavera finalmente chegou e faz-se sentir.

Penso que é comum a todos, há fases da nossa vida em que parece que tudo conspira a nosso favor, tudo corre ao sabor do vento, os projectos avançam, os resultados dos nossos esforços aparecem à frente dos nossos olhos, meses e anos de dedicação finalmente dão os seus frutos e sentimos no fundo do peito que tudo valeu a pena, que a luta diária afinal nem foi assim tão pesada, os percalços foram por um bem maior. Já sentiram isso? Eu não.

Já passei por algumas provas de fogo nestas 3 décadas de vida, as quais na verdade não provaram rigorosamente nada, apenas ficou provado que…sh*t happens.

Estou há mais de cinco anos a tentar encontrar o meu lugar num sítio que me diz todos os dias, de olhos arregalados, boca escancarada, que até solta gafanhotos “Aqui não é o teu lugar!”.

É difícil, é todos os dias difícil, não há dias fáceis, só uns menos difíceis do que outros.

Mas o tempo não pára. E à medida que o tempo avança chegamos à conclusão de que precisamos de mais tempo.

E de respostas. As pessoas necessitam de respostas como do ar para viver. E “Não” não conta como resposta, ou conta?

O tempo é cada vez mais escasso e as perguntas são cada vez mais.

Hoje fui acordada com um telefonema.

Há cerca de um mês recebi uma chamada que me trouxe novo ânimo, fui convidada para uma entrevista de emprego na minha área de estudo numa grande empresa. Fui à entrevista, percebi que era ali que eu queria trabalhar e que aquele cargo parecia ter sido criado a pensar em mim. Fiquei na expectativa (“será que o facto de estar há vários anos sem trabalhar na área vai pesar?será que me vão excluir por não falar bem a língua?”) e aguardei 2 semanas pela resposta.

Resultado: fui convidada para passar um dia na empresa a conhecer o departamento que tinha a vaga. Nem queria acreditar na minha sorte, afinal a minha oportunidade chegara, passados 5 anos e 2 meses de aqui chegar. Menos bom: outros candidatos iriam ter a mesma oportunidade, ou seja a vaga não estava garantida.

Foi-me pedido que aguardasse mais 2 semanas pela decisão final, e ela veio hoje de manhã na forma de um telefonema que me acordou e me fez levantar da cama para ouvir mais um “Não”. Não um “não” áspero, bruto… mas um “não” suave, acompanhado por um discurso do género “Foi muito difícil escolher só um candidato, se nos fosse possível ficaríamos com os 2 e blá blá blá pardais ao ninho”. Mas resumindo e concluindo a questão é:  escolheram o outro candidato e eu fiquei de fora.

1, 2, 3….ajeitar a crista…preparar o pescoço…há uma selva lá fora e os leões estão à espera.

galo-depenado

 

Hoje é um dia especial

Primeiro porque se comemora hoje, 6 de Dezembro, o dia de S. Nicolau……Em Portugal, é simplesmente considerado o Pai Natal, aqui na Áustria tem um estatuto especial.

Depois, porque hoje caíram os primeiros flocos de neve deste Inverno.

Vindo de mim, até parece mentira que eu considere este um acontecimento especial. Sou daquelas pessoas que associam mau tempo com sapatos enlameados, pés molhados e ponta do nariz gelada.

Mas hoje quando abri a janela e vi aqueles flocos brancos a esvoaçarem lentamente, à luz do candeeiro de rua, fiquei encantada…tal como fico todos os anos quando neva pela primeira vez.

Traz-me memórias de quando há uns anos num dos estados Bálticos vi nevar pela  primeira vez e daquela manhã em que da janela do meu quarto vi uma floresta coberta por um manto branco.